Uruguaiana, 21 de agosto de 2010  

“Enquanto vivo, critico, penso, repenso e invento as coisas que experimentei.”

Ferreira Gullar, poeta

 
DA HISTÓRIA AO FOLCLORE
(ATÉ 3 DE OUTUBRO, UMA SELEÇÃO DE CAUSOS DE CAMPANHAS ELETORAIS DO PASSADO)

REVIRANDO NO TÚMULO

Em vez de jingle da campanha, os organizadores da visita de Dilma Rousseff à sede do PDT, em Porto Alegre, receberam a candidata com o Hino da Legalidade. Para surpresa dos próprios militantes, Dilma cantou o hino do início ao fim.

Empolgado, o candidato a vice de José Fogaça, Pompeo de Mattos, discursou:

- O que não faria Leonel Brizola, se estivesse aqui, vivo, assistindo a este ato?

Do fundo do auditório, um gaiato gritou:

- Morria de novo.

É que quando Dilma saiu do PDT, filiando-se ao PT para ocupar cargo indicada pelo partido, Brizola disse que ela, Sereno e Zuanazzi tinham se vendido ao PT por um prato de lentilhas.

MENOS, ROMEU

O ex-xerife Romeu Tuma, hoje senador, também ama. Na campanha de Barros Munhoz ao governo de São Paulo, em 1994, ainda pouco habituado a comícios, Tuma quase chorou pregando “mais amor” entre as pessoas. Confessou amar todo mundo:

- Minha mulher, as pessoas, o candidato Barros Munhoz...

O então governador Luiz Antônio Fleury Filho ponderou, depois:

- Olha, Tuma, falar de amor é uma boa idéia, mas é melhor eliminar aquela parte sobre amar o Barros Munhoz. É capaz de alguém entender mal.

VEM AÍ MUDANÇAS NOS PARTIDOS

Ganhe Serra ou Dilma, a vitória será dos que defendem a reforma partidária. Será inevitável. O PMDB dissidente, por exemplo, vai buscar novos rumos. O PMDB oficial, se ganhar com Dilma, receberá cacos do que está sendo o DEM. Esses dois PMDBs disputam Aécio Neves, como a aposta maior para a presidência em 2014. O PSDB é, na oposição, o que perderá menos. Mas perderá. Se ganhar, Dilma vai receber uma adesão de um líder de peso, ainda mantido em reserva. Essas mudanças terão reflexos também nos quadros partidários municipais, é claro. Mas tudo após o pleito deste ano.

É CHATO, MAS DÁ PARA AGUENTAR

Já deu para se ver, por enquanto, que os carros de som com propaganda eleitoral não estão causando problemas maiores. No início, algumas pessoas reclamaram de um ou outro abusadinho que até as nossas sagradas “siestas” estava incomodando com o som em altos decibéis. Mesmo com esses transtornos, temos que aceitá-los como recursos de propaganda que já fazem parte de nossa tradição em campanhas eleitorais. E são por pouco tempo. Vale a pena, também, observar algumas gaiatices que, certamente, serão registradas em causos folclóricos contados no futuro.

PARECER DADO

A necessidade de realização do exame da OAB, que cada vez deixa mais formandos em direito sem a carteira para se tornar de fato advogado, que é discutida no Senado por causa de um projeto que propõe a extinção da prova, pode ter ganhado um aliado importante. É que Marconi Perillo, o deputado tucano de Goiás, recém-formado em Direito, jurou de pés juntos a uma comissão da OAB de seu Estado ser contra o fim do exame. Perillo é o relator da proposta na comissão de educação.

O CIDADÃO PODE FISCALIZAR AGORA

O TCE (Tribunal de Contas do Estado) estabeleceu que a partir de agora se verifique a existência de mecanismo de avaliação dos resultados das viagens para cursos por vereadores e servidores municipais, bem como a eventual difusão dos conhecimentos obtidos no respectivo órgão. A Corte também quer saber se os dados relativos aos deslocamentos realizados vêm sendo veiculados com detalhes na internet e demais meios de divulgação de acesso público. Uruguaiana, através de lei de iniciativa da vereadora Josefina Soares (PSDB), já se adequou a essas determinações do TCE com o Portal da Transparência, que pode ser acessado por qualquer cidadão.

COZINHANDO EM BANHO MARIA

Ainda falando sobre o debate dos presidenciáveis na Band TV, devem ter sido lembrados pelos assistentes os tempos das discussões acirradas entre Brizola, Maluf e Requião, quase chegando às vias de fato, em eleições passadas. Hoje, contidos pelo excesso de regras impostas pelos próprios assessores, Marina (PV), Serra (PSDB), Dilma (PT) e Plínio (PSOL) mostraram como falar de vários temas sem dizer nada, em um “alto nível” que evitou questões polêmicas de alta relevância. Marina parecia falar na Feira Literária de Parati, porém o radical vovô Plínio acordou os telespectadores. Serra evitou falar em MST, política externa e carga tributária. Bem como queria a Dilma.

AMIGOS NORDESTINOS

Já são muitos os cursinhos para preparação e formação de “cuidadores” de pessoas idosas. Seguindo essa tendência, o Senac anuncia agora um curso para 250 porteiros de prédios em Copacabana (RJ) sobre o modo de lidar com idosos. No bairro, 3,3 de cada 10 moradores têm mais de 60 anos. A média nacional é de 1 para cada 10. Pesquisa em Copacabana, encomendada pelo Bradesco Seguros, revelou que, para vovôs e vovós, o “melhor amigo” é o porteiro. No Rio, a maioria dos porteiros é de paraibanos. O porteiro de lá quebra muitos galhos para os idosos, como trocar lâmpadas etc...